Melhorando os índices



Fechei a primeira nota do ano letivo há algumas semanas e me dei conta que meus alunos já vêm demonstrando melhora nesse quesito também. Lembrei que o projeto começou em 2015 depois do choque com o resultado desastroso de uma avaliação diagnóstica, tem post antigo aqui no site falando sobre esse episódio, clique aqui para ler. Lá se vai 4 anos e, mesmo depois de colher outros resultados muito importantes, só agora o aspecto nota começa também a evidenciar uma evolução.

Já estamos no quarto ano de existência do nosso projeto na Escola José Carlos Pimenta, para quem ainda não sabe, uma escola na zona rural de Goiânia. Nesse período funcionamos como um laboratório de inovação e uma aceleradora de projetos criando condições para criação e execução de projetos com o objetivo de interferir positivamente na cultura escola, na postura dos alunos e no envolvimento da comunidade.

Desde as primeiras experiências foi possível perceber os reflexos no comportamento dos alunos que, aos poucos, saíram de posturas passivas e desmotivadas para ocupar o centro do processo, mais críticos, criativos, eloquentes e empoderados. Mesmo com as mudanças positivas no comportamento, os resultados nas notas das avaliações tradicionais chegaram com mais timidez.

Avaliação é um Calcanhar de Aquiles para quem inova em contextos tradicionais. No meu caso, percebi de forma muito clara e rápida a melhora das produções orais, a participação mais ativa e consciente nas aulas, alunos mais criativos e engajados, cooperando entre si para concluir projetos e uma série de outras evoluções importantes para a idade deles, mas no nosso sistema tradicional de ensino, nada disso vale sem números, sem notas altas nas avaliações escritas.

Sabemos que essas avaliações são importantes, mas elas são injustas e ineficientes na tarefa de diagnosticar a evolução total dos alunos. Bem, por que estou dando toda essa volta? Porque quero dizer que, embora eu entenda que as notas de um boletim dizem de um tipo específico de aluno e inteligência, como professor fora da caixa, quando a nota vem, a gente também fica feliz e realizado, até porque temos mais um indício de que estamos no caminho certo.

Resolvi fazer um levantamento das notas nos últimos 4 anos e, pra minha surpresa, principalmente nos dois últimos anos, houve uma melhora. E pra me deixar ainda mais feliz e seguro sobre os métodos que utilizo, um programa de avaliação diagnóstica aplicado pela primeira vez por uma empresa especializada, a pedido da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia, identificou que nossos alunos obtiveram, em Língua Portuguesa, aproveitamento acima da média de toda a rede.

Em números, saímos de uma avaliação em 2015 com notas médias de 3,5 para, em 2019, alcançarmos a média em Língua Portuguesa de 58,65, são 4,89 pontos acima da média geral da nossa rede de ensino. Uma pequena vantagem, mas muito especial pra nós. A mesma avaliação também mostrou áreas em que ainda precisamos melhorar mas, de modo geral, os motivos para comemorar são muitos. De fato, inovar é um caminho que conduz a resultados, alguns tangíveis e identificáveis por notas e outros que só a vida e o futuro dirão.