Colocando em prática



Cheguei no Brasil na noite do último sábado, 03 de fevereiro, descansei no domingo e já retornei ao trabalho na segunda-feira. As aulas na rede municipal de ensino de Goiânia tiveram retorno no dia 22 de janeiro, estive ausente por duas semanas em razão da imersão na Riverside. Agora é hora de recuperar essas duas semanas e colocar em prática tudo que aprendi.

Nessa primeira semana comecei a introduzir conceitos de design e gerenciamento de projetos mirando três objetivos principais com meus alunos: a melhora da produção textual oral e escrita, desenvolver a capacidade de raciocínio e aumentar o engajamento nas aulas. Na Riverside o design está presente em tudo e é um dos elementos responsáveis por produzir ótimos resultados. Há algum tempo eu li um livro sobre gerenciamento de projetos e esse conhecimento está sendo imprescindível neste momento.

Os professores na Riverside recorrem muito à lousa para desenhar esquemas que explicam as etapas de atividades ou a lógica de conteúdos, recursos que ajudam a situar os alunos nos assuntos das aulas e nas atividades que precisam realizar. Esses mesmos esquemas são utilizados também pelos alunos para planejar projetos e atividades e ainda estão pelas paredes da escola ajudando-os a relembrar experiências, eventos, aulas e conteúdos estudados.

Eu não sou especialista no assunto, não conheço muito de design e projetos, mas os professores da Riverside também não são especialistas nessa área. Eles foram estudando e desenvolvendo o uso da técnica no ensino no exercício da docência, assim também eu decidi começar o trabalho. Eu não tenho o mesmo suporte que eles, pois a escola investe muito em formação e apoia experiências pedagógicas, mas pretendo “dar meus pulos” para conseguir aprofundar meu conhecimento nessa área.

Nessa primeira semana de experiência o resultado foi animador, os alunos gostaram da proposta e o engajamento foi grande. Criei um esquema explicando as etapas de um projeto que terá como culminância a produção de um texto onde o aluno fala sobre si, nada inovador, mas o uso desse esquema foi responsável por aulas muito gratificantes.

Motivados para cumprir cada etapa e atentos aos passos dentro de cada etapa, e às instruções sobre elas, os alunos mostraram-se mais criteriosos que o normal. Enquanto eles sentiam-se instigados na execução de projeto, eu trabalhava com eles conteúdos tradicionais como produção textual, correção gramatical e oralidade, e ainda levá-los a desenvolver a capacidade de raciocínio, reflexão, concentração, análise, foco e etc.

Paramos na etapa da roda de conversa onde os alunos falaram sobre si guiados pelo fluxograma produzido nas etapas anteriores do trabalho. Já nessa etapa foi possível colher resultados, eles foram bem mais detalhistas em suas falas e articularam mais, pois projetaram previamente o que iriam falar. Estamos agora efetuando correções e partiremos para a produção do texto em si, e aí terei como avaliar o processo no todo. Mas prevejo sucesso também na etapa da produção do texto em prosa, e prevejo também que as noções de design serão parte fixa nas minhas aulas de agora em diante.

É a Riverside lá da Índia influenciando diretamente a rotina de uma escola nos arredores de Goiânia aqui no Brasil.