Primeiro dia de estudo na Riverside School



Cheguei por voltas das 7:30 e alguns minutos depois os alunos começaram a chegar, alguns poucos trazidos pelos pais, a grande maioria chegou nos ônibus da escola, 3 veículos.

Os alunos menores, da 1º e 2º séries, foram deixando suas mochilas em um banco de concreto no pátio, não jogando em qualquer lugar, mas também não colocando com todo cuidado do mundo como um adulto. Demonstravam apenas ser crianças conscientes sobre a necessidade de zelo para com seus materiais. Com as mochilas acomodadas, as eles foram então brincar em balanços de pneus nesse pátio, outros jogaram bola na quadra ao lado e outros preferiram ficar conversando por alí.

Os professores foram chegando junto com as crianças. Às 8, professores e alunos foram em direção às salas, exatamente às 8:02 o sinal tocou, era um sino como os de antigamente. Não houve correria, todos apenas seguiram o caminho rumo aos seus locais de aula.

Logo depois uma funcionária da escola me chamou, me levou até uma sala e me disse que a escola, seus espaços, funcionamento e filosofia, seriam apresentados a mim. Ela se retirou até a porta, chamou por dois nomes e eis que surgem 2 meninas, ambas com 7 anos, alunas da 2ª série; Anushka e Sanaya.

Incrível o trabalho das duas! Logo de cara se apresentaram, de forma meio tímida, mas seguras. Elas não eram aquele tipo de criança que parece adulta, e que aliás eu não gosto, as duas eram genuinamente crianças, se comportavam e falavam como tal, mas com segurança e autonomia. Eu logo avisei que precisava que elas falassem mais pausadamente – estudar em inglês e com um sotaque tão específico como é o indiano não está sendo fácil pra mim – elas acenaram com um “ok” e começaram. A funcionária da escola se despediu sem titubear, e lá estava eu, com 33 anos, aos cuidados de duas garotinhas de 7.

Anushka e Sanaya foram então direto pro pátio central, me apresentaram dois locais especiais da escola onde são realizadas atividades para despertar a criatividade, elas explicaram os usos desses locais, os motivos de sua arquitetura e me perguntavam se eu estava entendendo. Às vezes uma atropelava a outra demonstrando muita vontade de explicar determinado ponto.

Dalí me levaram para todas as outras dependência da escola, que aliás tem um tamanho considerável. As meninas sabiam qual sala era de cada turma, explicaram desde o laboratório de ciências até a quadra, sempre falando das habilidades que eram desenvolvidas ali dentro através de atividades específicas que elas citavam com exemplos.

Fiquei muito impressionado, e mais uma vez ressalto que elas se comportavam como crianças, não eram crianças forçando uma postura adulta ou com um texto decorado, eu percebi muita autonomia nelas. Observei se tinha algum adulto nos olhando para certificar de que estavam fazendo um bom trabalho, não tinha. E elas seguiam a tarefa de me apresentar a escola, não demonstravam medo em errar, se alguma esquecia algo, a outra completava. Acho que gravaram bem meu pedido para falarem pausademente, pois sempre se certificavam se eu estava entendendo.

No final da demonstração, que deve ter durado uns 40 ou 50 minutos, me perguntaram de onde vim e o que fazia. Respondi quem eu era e peguei meu celular para explicar o que eu fazia, abri o perfil no instagram do Looking 4 Heroes e mostrei minhas fotos em Luanda entregando cadernos para alunos de lá. Expliquei alguns projetos que fiz com meus alunos e me apresentei como um professor que queria ser como os professores da Riverside – eu não queria que elas pensassem que eu era um professor chato, confesso!

Mais uma vez elas demonstraram ser crianças normais, ficaram empolgadas com as fotos, com o fato de eu conhecer alguns países, e pediram para pegar o celular e ver mais fotos. Por fim me perguntaram qual disciplina eu ensina.

– Língua Portuguesa. Vocês conhecem algo em português?

– Não, mas você pode ensinar alguma coisa pra gente enquanto estiver aqui.

– Onde fica o Brasil?

Antes que eu respondesse, uma professora as chamou em um outro pátio. Elas pediram licença e foram. A professora pediu desculpa e perguntou se tinhamos acabado.

Isso tudo foi somente minha primeira hora na The Riverside. De 7:30 até 16:10 eu fiz 7 folhas de anotaçoes, dos dois lados. Nesse primeiro dia ainda acompanhei os alunos do Ciclo I em uma visita ao supermercado, outro momento incrível que eu compartilharei em outro post para que esse não fique muito longo e se concentre nessa primeira percepção que veio através do método utilizado pela escola para me dar as boas vindas e ser apresentada.

Se alguém aí quiser alguma informação específica escreve aí nos comentários.

Se você estivesse aqui, o que você gostaria de saber deles, quais perguntas você faria?

Me ajude a extrair o máximo dessa experiência.

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Abraço e até outro post, que não deve demorar para sair.