Experiência empreendedora



Dia 09 finalizou a última semana de aula regular na escola, uma parte dos alunos foi dispensada e outra parte ficará mais uma semana para reforço de alguns conteúdos. Por se tratar de uma escola de Ensino Fundamental, a última semana de aula do ano é também a última semana de aula na escola para os alunos do 9º ano, no próximo ano eles ingressam no Ensino Médio e, por isso, precisam buscar uma nova escola. Para celebrar esse momento de passagem, a escola sempre providenciou alguma comemoração para os meninos. E quando falo em “providenciar”, eu digo em conseguir dinheiro e meios através de doações, já que escola pública mal recebe dinheiro para manter seu funcionamento básico.

Mas em 2016, eu aproveitei a onda de entusiasmo e motivação que tomou meus alunos e propus à turma do 9º ano trabalhar para que eles conquistassem dinheiro suficiente para ao final do ano ter uma formatura de Ensino Fundamental à escolha deles. Mesmo meio desconfiados eles aceitaram e, nesta última sexta-feira, 09/12/16, eles finalizaram a última atividade que deu a eles um valor suficiente para que tenham, no dia 19 deste mês, a comemoração que eles escolheram. A turma é formada por 7 alunos, nem todos se envolveram de verdade com esse desafio, mas tenho certeza de que os que se comprometeram levarão algo mais na bagagem.

Eu sou professor de Língua Portuguesa e Língua Inglesa, de forma direta, e tradicionalmente falando,  minhas disciplinas não teriam ligação com as atividades realizadas durante o ano com esse fim, mas como me coloco como um profissional de educação comprometido com um aprendizado para além dos conteúdos, creio que liderá-los nessa empreitada não me fez fugir das atribuições da minha profissão.

Foi muito gratificante ver esses meninos experimentando o gosto da independência e da superação. Eles venderam bombons caseiros fabricados pela mãe de um deles, também venderam combos pipoca + refrigerante em seções de cinema na escola e também organizaram rifas. Fizeram contas, pesquisaram fornecedores, exercitaram a criatividade e experimentaram a um sentimento muito comum na vida real, o “será que a gente consegue?!”. E pela primeira vez a escola não terá gastos com a formatura de um 9º ano, pela primeira vez uma turma saberá o custo desse evento e o quanto a diretora se esforçava nos anos anteriores para oferecer isso a eles, já que a escola não possui recursos para esse fim.

Diante de tudo que observei do lado dessa turma nesse desafio, eu reflito sobre a complexidade do papel da escola e do professor. O que será mais útil à esses meninos no futuro, minhas aulas sobre morfologia ou o aprendizado conquistado no cumprimento desse desafio?