Em minha primeira excursão em busca de inspiração para minha sala de aula e histórias de heróis aqui pro site, estive em Montevidéu e essa experiência rendeu muitos frutos. Se você chegou até aqui e ainda não viu e/ou leu sobre essa empreitada, dê um passeio pelo site e confira as minhas impressões sobre os dias maravilhosos que passei naquele país visitando escolas e tudo mais que aconteceu depois disso.

Procurando heróis longe de casa…

Quem conhece nossa história sabe que o projeto Looking for Heroes surgiu, bem lá no princípio, para que o professor que aqui vos escreve, compartilhasse histórias sobre educação durante um período de trabalho em Trinidad e Tobago. A viagem acabou não acontecendo, mas com o site já pronto, passei a compartilhar minha experiência em sala de aula com meus alunos e fui em busca de mais histórias inspiradoras.

Nesse quase um ano de existência, o projeto vem testando formas de se comunicar de modo a inspirar professores, alunos, profissionais da educação e quem mais aposta no estudo. Como professor, tive minha atuação profissional diretamente afetada por essa iniciativa de buscar conhecer exemplos que passam despercebidos das pessoas. O ano de 2016 tem sido um ano de grandes vitórias que só se tornaram possíveis com a motivação que o Looking for Heroes injeta em mim.

E é em busca de mais inspiração que eu parto agora rumo ao Peru, para renovar minhas forças com mais exemplos simples e poderosos de pessoas que rompem fatores dificultadores em função de uma educação humanizada e de qualidade.

Sobre a educação peruana…

Sobre a educação peruana…

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou  em 2015 um ranking mundial de qualidade de educação. Entre 76 países, o Brasil ocupou a posição 60ª, Peru ficou na 71ª. Leia mais aqui.

(Fonte da Imagem: iepa.org.pe)

Como as coisas acontecem…

Essa experiência que durará 10 dias, iniciou há cerca de 6 meses. Tudo começou com pesquisas, busca por contatos no país, e-mails enviados para pessoas e instituições, muita pesquisa e insistência. Mas como histórias de heróis na educação são bem mais comuns do que muitos pensam, não é difícil encontrar inspiração em escolas há mais de 5000 km de casa. Depois de receber as primeiras respostas dos e-mails e mensagens que enviei, o processo seguinte foi selecionar entre tantas histórias boas, as melhores.

Entre as pessoas e instituições que contactei no Peru, e que me deram um retorno, todas tinham histórias muito boas, mas como meu tempo no país seria limitado, não seria fácil conhecer pessoalmente todas elas. Daí a necessidade de selecionar e ver quais poderiam me receber no meu tempo disponível, quais me autorizariam relatar em texto e imagens suas histórias e, principalmente, quais falariam intimamente aos meus alunos e aos possíveis leitores delas aqui no site.

É muito importante a identificação. Para inspirar, de verdade, esses heróis precisam ter percorrido caminhos comuns à muitas pessoas. É pensando nessa questão, inclusive, que essa procura por heróis tem ido longe e perto ao mesmo tempo. Para um aluno, por exemplo, é importante saber de histórias parecidas à dele em lugares distantes, isso o ajuda a perceber que ele não é o único a enfrentar dificuldades. Mas se essa história vem de muito, muito longe, a identificação já pode ser prejudicada.

Sobre a educação peruana…

(Fonte da Imagem: taitalindo.com.pe)

A imagem que levo do Peru…

Toda viagem a um destino novo é marcada por preconceitos, imagens que desenhamos a partir de comentários que ouvimos, textos que lemos, imagens que vemos, enfim, de olhares literalmente à distância. Depois de pesquisas e conversas, com nativos e brasileiros que moram no Peru, a imagem que construí desse país não foge muito à imagem que é vendida de lá.

Sobre a geografia do lugar, por exemplo, Machu Picchu está para o Peru assim como o Rio está para o Brasil, na visão dos gringos. Sim, embora há mais de 1000 km distante de Lima, a capital, a gente pensa que elas sejam vizinhas, ou resumimos o país inteiro à cidade perdida do Império Inca.

E quem nunca se deparou com peruanos tocando música andina em alguma praça Brasil afora! De fato, é a cultura andina, de fortes contornos Inca, que nos vem à mente quando o assunto é o Peru. A lhama, os instrumentos musicais típicos (zampoña, siku, antara, rondador) e o famoso porquinho da índia assado, são símbolos muito fortes que vem à mente do brasileiro quando o assunto é o Peru. Mais recentemente, esse país tem também se tornado referência de boa gastronomia, com chefes e restaurantes constando em importantes rankings especializados entre os melhores do mundo

Lendo sobre…

Descobri que a relação escola pública x escola privada no Peru é bem mais intensa que aqui no Brasil. Atualmente praticando preços exorbitantes, a educação privada por lá se fortaleceu devido a precarização da rede pública e baseada num imaginário geral de que somente em escolas particulares seria possível ter acesso aos melhores professores, equipamentos e métodos de ensino.

Em um site que traz informações sobre as escolas mais caras de Lima, uma relação extensa traz informações de escolas que chegam a cobrar $1,275 (cerca de R$1.200,00) + uma espécie de taxa de matrícula de $12.500,00 (algo em torno de R$ 11.760,00). E não pense que trata-se de algumas escolas apenas, mas do preço médio praticado em todas elas. Os valores, segundo a fonte, são referentes a 2014, porém, uma brasileira que vive no país afirmou que os valores atualmente são cerca de 50% maior.

A informação que tive é que, mesmo com valores tão altos, as escolas privadas atraem grande número de famílias com menor poder econômico, isso se deveria à limitada oferta de vagas e à um descrédito coletivo com relação às instituições públicas.

Números expressivos…

De 2000 a 2011, o sistema privado de ensino investiu o equivalente a 2,8% do PIP peruano. Nesse período, o sistema público investiu $14, 551 (R$ 13.682) milhões, enquanto o privado investiu quase o mesmo valor, $14,057 (R$ 13.217) milhões. Dados de 2011 apontam que em Lima, 66,7% das escolas são privadas e concentram 49% das matrículas nos ensinos fundamental e médio na capital.

Entre as possíveis explicações para esse fenômeno: precarização, e consequente desvalorização, do sistema público de ensino, o aumento da renda média e o descompromisso da classe política com relação à educação como direito básico.

De acordo com a revista digital Ideele, na publicação nº 226 em 2012, a defesa civil peruana notificou 4700 centros educativos públicos no país inteiro em 2007, os prédios representavam riscos aos alunos e funcionários, ameaçando desabar, desses, 415 estavam na capital do país. Outras 57% das escolas representavam risco moderado, o que ao todo, colocaria mais de meio milhão de alunos em situação de risco dentro das escolas públicas do país. Não encontrei números mais atuais, mas esses apontam para uma situação bem própria.

Jorge Fernando Cárdenas Canchanya

Professor da rede pública em Lima, Jorge Cárdenas é um dos personagens com quem encontrarei nessa viagem. Em uma grande coincidência, através de uma pesquisa aleatória, cheguei ao seu perfil em uma rede social, e descobri que ele teve sua história selecionada para fazer parte de uma publicação sobre os professores mais inspiradores do país. Assim, bem ao acaso, tive a sorte de chegar a um herói já conhecido e reconhecido em seu país, nas próximas semanas ele fará parte do nosso hall também.

Vou passar dois dias acompanhando sua rotina por duas escolas, e convido a você que chegou até aqui a acompanhar nossos próximos passos em busca de histórias que nos mostre e ensine, ainda mais, que a educação é um reduto de pessoas que se superam e levam outros à transpor limites. 

Aguardem cenas dos próximos capítulos… Siga nossa fanpage no facebook e acompanhe o dia a dia dessa experiência.
1 responder

Deixe uma resposta

Quer participar da discussão?
Deixe seu comentário logo abaixo!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *