Introduzindo o Google Docs nas aulas

O momento da descoberta é mágico, pra aluno e professor! Estou experimentando dicas colhidas no Seminário Amplifica e o resultado tem sido de encher os olhos. Iniciei uma sequência didática sobre alimentação unindo duas disciplinas Ciências e Língua Portuguesa. A proposta foi feita pela colega de trabalho Adriana Silva, eu que adoro desafios nessa área, aceitei de cara.

Para isso começamos com uma oficina sobre a plataforma Google Docs, já ambientados com os apps os alunos iniciaram uma pesquisa sobre tópicos levantados com a professora de Ciências. Divididos em 5 grupos, os 20 alunos formaram um time desenvolvendo áreas específicas da temática levantada, criando um documento único no @Google Documentos, que dará origem a uma apresentação utilizando o app Google Apresentações. Todo o material vai gerar um vídeo gravado em um celular e editado no Windows Movie Maker que será postado no YouTube e exibido para toda a escola. Enquanto aprendem o conteúdo tradicional, eles desenvolvem habilidades caras ao mercado de trabalho e à vida como todo, tais como cooperação e trabalho em equipe, uso de tecnologias, capacidade de análise, mobilização, foco etc.

Como professores, eu penso que às vezes subestimamos a intimidade dos alunos com os recursos tecnológicos. Embora meus alunos tenham sido apresentados ao Google Docs e suas ferramentas só nesta semana, foi muito rápido a familiarização. Em minutos eles descobriram recursos que eu ainda não conhecia.  Os alunos com quem estamos desenvolvendo esse trabalho são do 8º e 9º anos, com idades entre 13 e 14 anos, eles compõem uma turma multisseriada. Moram em uma vila fora do perímetro urbano de Goiânia, em chácaras, fazendas e uma pequena parte na cidade de Nerópolis, interior do estado. Muitos nunca saíram da cidade e como recursos tecnológicos alguns possuem celulares e/ou computadores em casa. O acesso à internet, fora da escola, é conquistado muitas vezes através de planos de dados pré-pago, ou utilizando o sinal de wi-fi de algum vizinho ou estabelecimento. 

Embora o acesso à tecnologia seja limitado, eles são fruto de uma época que transpira tecnologia. Creio que já está na memória celular deles, e isso promove uma interação muito rápida com os recursos. Essa experiência está me fazendo refletir nesse sentido. Eu, que sempre busco apresentá-los a uma aula com abordagem inovadora, estou percebendo que ainda não tenho a real noção do quanto eles estão prontos para exercitar autonomia e experimentar tantos recursos que já estão aí disponíveis. A experiência está sendo revigorante, pra mim e para a professora Adriana.

Estou produzindo, em parceria com a Profª. Adriana, um PDF explicando como estamos executando o plano, se alguém se interessar, em breve ele estará disponível. Nas redes sociais do Looking 4 Heroes costumo postar imagens desta e de outras experiências. Não deixe de ler também observações que faço no final deste post, abaixo da foto. Não deixe de compartilhar e deixar seu comentário. Faça parte do processo!

Observações que preciso fazer:

1 – Uma professora aberta a testar e visualizando parcerias com outra disciplina. Isso é inovador, é grande e precisa ser assunto de reflexão. A lição é poderosa quando um profissional abre espaço em sua disciplina para inserir um novo olhar, outro profissional e seus conhecimentos específicos. Isso exige visão ampla, objetivos específicos e compromisso com resultados, não exatamente com seu ego.

2 – Temos uma turma multisseriada, mas com 20 alunos. A desvantagem da multisseriação é amenizada pela quantidade de alunos, mas como colocar um plano desse em prática em uma sala com 40 alunos? Eu não saberia, na verdade acredito que não seja uma questão de metodologia do professor, mas de impossibilidade mesmo. Mesmo dando certo, e dividindo as aulas com outra professora, exige muito de nós estar disponível e gerir uma aula como essa. Aplicar isso, principalmente na fase de iniciação, é espacialmente, fisicamente, metodologicamente impensável. Eu nem faria questão de tentar!

3 – Nossas aulas estão tendo duração de 2 e 3 horas durante essa semana. Toda a equipe se mobilizou, como de costume em nossa escola, para preparar o campo pra nós. O tempo das aulas precisa ser móvel para possibilitar inovação. A equipe precisa ser aberta e ter ciência de que os ganhos são do grupo, é assim que nós aqui na Escola José Carlos Pimenta agimos, e é por isso que temos realizado projetos quebrando a caixa por aqui.

 

1 responder
  1. Francimara
    Francimara says:

    Eu como mãe estou admirada com essa nova metodologia de aula ,e muito bom para o desenvolvimento dos alunos com a tecnologia.Meu filho mostrou o trabalho que está desenvolvendo com os colegas adorei.

    Responder

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