Quanto cu$ta voar na educação!

Investir na carreira pode ser um balsamo! Dos meus 5 anos e 3 meses como professor, sempre busquei cursos oferecidos pela minha rede de ensino, a rede pública municipal de Goiânia. Intercalados aos cursos e eventos dessa rede, também busquei participar de eventos e cursos da área do marketing, tecnologia e comunicação.

Devido a essa experiência, sempre me questionei sobre o fato de nós professores termos deixado perpetuar entre nós um modelo de formação tão teórico e chato. Até o ano passado, minha impressão era que eventos para professores eram um martírio, tanto que fui deixando de participar deles.

Em janeiro fiz um curso sobre palestras que me ajudou muito a repensar o preparo do material que crio para minhas aulas e também minha capacidade de comunicação. O investimento em tempo e dinheiro foi considerável, se comparado ao salário de professor que recebo, mas pra mim valeu a pena. A experiência melhorou o serviço que presto e isso consequentemente me trouxe satisfação, o que também melhora a qualidade dos meus serviços.

Agora estou novamente a caminho de São Paulo para participar de um evento super inovador e conceituado sobre educação. Excitado com a oportunidade de compartilhar experiência, aprender muito e encontrar grandes nomes dessa nova educação que está acontecendo Brasil afora, em muitos casos, extraoficialmente. Extraoficialmente porque o estado ainda não conseguiu alcançar o ritmo da educação inovadora que tem sido praticada em escolas por aí. E quando isso acontece, mais uma vez o professor paga para diminuir o atraso da educação pública.

E é sobre pagar o preço que eu estou pensando ao escrever este texto. Financeiramente falando, o investimento na carreira pode ser algo difícil para professores da rede pública, nossa realidade salarial é conhecida de todos. Além de possíveis limitações financeiras, é preciso lembrar também do fato de sermos engolidos por uma carga de trabalho que nos consome física e psicologicamente.  Nesse caso, restam os cursos oferecidos pelas redes públicas de ensino, muitas vezes ultrapassados, utilizando métodos nada inovadores, restritos a leitura de textos e slides, pouco relevantes. Quando o assunto é educação inovadora, esse modelo está longe de levar o profissional a algum lugar. Também preciso dizer que a possibilidade de escolher um evento do seu próprio interesse e poder pagar por ele torna a experiência muito mais valorizada e atrativa.

Criar seu próprio caminho pode ser algo demasiadamente caro, fora o investimento financeiro, ainda há também o psicológico. Ausentar-se da escola para se atualizar, mesmo arcando com os custos disso, como é o meu caso, às vezes custa olhares reprovadores dos colegas devido à nossa falta, nesse caso não trata-se de uma situação que eu vivencie, mas é uma realidade entre nós. Desde que comecei a voar longe em busca de criar um caminho independente, passei a ter muitas faltas não justificadas no trabalho. Pago com descontos no meu salário por me ausentar da escola para participar de eventos que não sejam oferecidos por minha rede. Para participar do Seminário Amplifica Internacional, por exemplo, além das passagens aéreas, locomoção na cidade, refeições, hospedagem e inscrição no evento, sofrerei o corte de um dia de trabalho, ironicamente o corte acontecerá em uma sexta-feira, dia em que, em tese, tenho metade da minha carga horária disponível para planejamento e formação. Por baixo, um investimento como esse pode custar quase o salário total de um mês de trabalho. Quantos profissionais podem fazer isso com certa frequência?

Preso a um sistema viciado e carente de refletir sua profissão, o professor precisa pagar um custo, muitas vezes bem alto, para encontrar o caminho das pedras. Diante do que está posto, acredito ser necessário pagar o preço da mudança para forçar que ela aconteça, mas poucos podem pagar esse custos, seja por uma vida financeira limitada, seja por uma autoestima abalada demais para enfrentar a cultura rígida que nosso sistema impõe. A atual e talvez a próxima geração de professores precisará arcar com esse custo para forçar uma mudança positiva.

Vejo São Paulo do alto e num misto de excitação e pesar penso que precisamos forçar uma mudança urgente no sistema público de ensino, do jeito que está, ele coloca diante do professor uma série de empecilhos para uma melhora. Como pode um profissional que trabalha com conhecimento ter dificuldade em acessá-lo! Mesmo assim, embora o pré-conceito diga o contrário, tem muito professor de escola pública pagando alto pra realizar uma educação acima da média e mais moderna que o sistema público é capaz de oferecer. Em se tratando de educação, voar é preciso, mesmo quando os ventos não sopram a favor.

P.S. 1 – Deixei um link pro site do evento no banner. Vou fazer outros posts nas redes sociais sobre como foi a experiência e devo escrever aqui no diário também.

P.S. 2 – Dividam comigo o que vocês pensam sobre o assunto. Vamos estabelecer um diálogo, e não precisa ser professor pra entrar nesta discussão. Comente, compartilhe com seus contatos, me ajudem a ampliar meu campo de visão. 

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