O que faz a sala de aula, o contexto ou as paredes?

Nesta segunda-feira tive meu último dia de aula com a turma do 9º ano da Escola José Carlos Pimenta. A escola é pública e fica na zona rural de Goiânia, devido a sua localização, as turmas têm números reduzidos de alunos, esse 9º ano, por exemplo, tem apenas 7. Infelizmente, a vantagem de ter um número tão pequeno de alunos esbarra no fato de as turmas serem multisseriadas, duas séries diferentes ocupando a mesma sala de aula e tendo aulas ao mesmo tempo com o mesmo professor. Esse é um detalhe da realidade do meu trabalho.

Foi nesse contexto que, desde o segundo semestre de 2015, iniciei um trabalho mais efetivo de “educação fora da caixa” com eles. Alguns desses alunos da foto foram os motivadores de uma grande frustração que me fez pensar em abandonar a sala de aula. No primeiro semestre de 2015 nós não conversávamos a mesma língua, eu não conseguia despertar interesse neles e, consequentemente, era muito desmotivadora e ineficiente nossa relação professor-aluno. Pouco mais de um ano depois, eu escrevo sobre o quanto eles foram responsáveis por momentos de muita satisfação na minha profissão, juntos, fomos de um extremo a outro. Há um texto aqui no site que fala sobre um episódio culminante desse período, Do Vale do Swat para a Vila Rica, a leitura de um livro que marcou o início de um tempo novo. Mas fato é que hoje chegou o dia dessa turma se despedir do Ensino Fundamental e, como a escola não oferece Ensino Médio, é hora de dizer tchau à escola e seus professores também.

O final desse ciclo teve um gosto especial para os meninos, eu expliquei isso no post anterior aqui do diário, para celebrar o ano e a
passagem para um novo ciclo, os meninos passaram o dia no shopping acompanhados por 4 professores. Embora morem em uma capital, o shopping não é um local comum à eles, o dia foi mesmo incomum e especial. E olha só a satisfação deles ao dividir a grana que conquistaram, enfim, chegou o dia de usufruir do fruto de um trabalho longo.

Uma professora de Ciências, uma de História e Geografia, um professor de Educação Física e um de Língua Portuguesa e Inglesa fizeram do dia de hoje suas aulas. Acompanharam os meninos durante o ano e de modos diferentes estiveram envolvidos em todo esse processo. Talvez alguém aí do outro lado questione sobre o fato de como um dia no shopping pode ser considerado dia de aula, qual a relevância disso para o currículo desses alunos, quais conteúdos eles aprenderam etc.

Em resumo eu diria que o aprendizado é um processo demasiadamente complexo e que não reconhece limites de sala de aula e não se limita a fórmulas. Eu acredito que aprendizagem é experiência. Sob essa perspectiva, sigo criando situações para que meus alunos vivenciem e aprendam da forma mais prática possível, criando memórias afetivas que os ajudem a trazer à tona tudo que um dia pretendi ensinar. 

 

 

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